aβsynto Vocέ: 200903

 

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.Há também quem garanta que nem todas, só as de verão.Isto não tem muita importância. O que interessa mesmo são os sonhos..."

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terça-feira

Do desejo



(...)
Existe a noite, e existe o breu.
Noite é o velado coração de Deus
Esse que por pudor não mais procuro.
Breu é quando tu te afastas ou dizes
Que viajas, e um sol de gelo
Petrifica-me a cara e desobriga-me 
De fidelidade e de conjura. O desejo
Este da carne, a mim não me faz medo.
Assim como me veio, também não me avassala.
Sabes por quê? Lutei com Aquele. 
E dele também não fui lacaia.

Vulto


Tenho endereço mas não tenho casa,
falta-me pouso...
Vivo na casa mas não a habito,
falta-me ninho...
Deito na cama mas não durmo,
falta-me sono...
Como do prato mas não me alimento,
falta-me gosto...
Bebo da água mas persiste a sede,
falta-me a fonte...
Escrevo um poema mas não o leio,
falta-me ouvinte...
Cometo injúrias e não confesso,
falta-me cúmplice...
Compro a bebida mas não bebo,
falta-me parceiro...
Faço o sexo mas não me sacio,
falta-me amor...
Tenho... mas me sinto só,
falta-me... Só me falta.
Encontro-me entre tantos
mas sou só desencontro.
Penso mas não existo,
falta-me ser...
Estou onde não sou,
onde sou, não estou.
Sou só vulto.

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segunda-feira

O cheiro do(e) Ser


...
Là ou ça sent la merde
ça sent l’être.
L’homme aurait très bien pu ne pas chier,
ne pas ouvrir la poche anale,
mais il a choisi de chier
comme il aurait choisi de vivre
au lieu de consentir à vivre mort.

C’est que pour ne pas faire caca,
il lui aurait fallu consentir à ne pas être,
mais il n’a pas pu se résoudre à perdre l’être,
c’est-à-dire à mourir vivant...
(Pour en finir avec le jugement de Dieu - Antonin Artaud

domingo

A falta que ama














Entre areia, sol e grama
o que se esquiva se dá,
enquanto a falta que ama
procura alguém que não há. 

Está coberto de terra,
forrado de esquecimento.
Onde a vista mais se aferra,
a dália é toda cimento. 

A transparência da hora
corrói ângulos obscuros:
cantiga que não implora
nem ri, patinando muros. 

Já nem se escuta a poeira
que o gesto espalha no chão.
A vida conta-se inteira,
em letras de conclusão. 

Por que é que revoa à toa
o pensamento, na luz?
E por que nunca se escoa
o tempo, chaga sem pus? 

O inseto petrificado
na concha ardente do dia
une o tédio do passado
a uma futura energia. 

No solo vira semente?
Vai tudo recomeçar?
É falta ou ele que sente
o sonho do verbo amar? 

sábado

Meus sem...














Sem avisar, chegaste...
Sem confiar, recebi.
Sem conhecer, acolhi.
Sem perceber, apeguei.
Sem querer, sonhei.
Sem poder, desejei.
Sem declarar, amei.
Sem consumar, penei.
Sem planejar, sofri.
Sem avisar, partiste...
Sem remédio, chorei.
Fim.


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sexta-feira

Piadinha...


Um judeu caminhava pelo deserto, quando encontrou uma garrafa de Coca-Cola.

Ao abrir a tampa - surpresa! - apareceu um gênio:

- Olá! Sou o gênio de 1 só desejo, às suas ordens.

E ele diz:

- Então, eu quero a paz no Oriente Médio. Veja esse mapa: que esses países vivam em paz!

O gênio olhou bem para o mapa e disse:

- Cai na real, amigo! Esses países guerreiam há 5000 anos, Cristo passou pela terra e a guerra continuou! E, para falar a verdade, sou bom, mas não o suficiente pra isso. Peça outra coisa.

E o judeu conformado soltou outro pedido:

- Bom, eu nunca encontrei a mulher ideal... Gostaria de uma mulher que tenha senso de humor, goste de amar, cozinhar, limpar a casa, não seja ciumenta, fiel, que goste de futebol, que aprecie uma cervejinha, que seja bonita, jovem, carinhosa e não seja vidrada em cartões de crédito.

O gênio suspirou fundo, coçou a cabeça e disse:

- Deixa olhar esse mapa de novo!!!!!

_Que intriga... Imagina!

Essa veio do Ψolhos Pensantes.

quinta-feira

Marcas rubras



Mote:
"DAS UTOPIAS
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!" (Mário Quintana)

Sob sol causticante ou impetuoso aguaceiro,sigo qual tal peregrina
levando o ônus da vida,um fardo pesado que arde,na carne cravado espinho.
Incrustado na sola do pé,arrancando sangue e suor nas passadas pelo caminho.
Pisando de lado, de leve, sofrendo as dores calada, aceito malfadada sina.
De que me adianta o murmúrio, se é de luto a vida que me destina.
Quanto mais sigo minha vereda, buscando sedenta um porto,
mais sinto o espinho arranhar, rompendo adentro do corpo.
Me perguntam por que não extirpo, não me livro de vez do estorvo,
não entendem eles que o espinho,já fizera ninho em meu corpo.
Por isso sigo a jornada,sangrando e pisando torto.

Alguns pensam que sou louca, que de mim vai longe a razão,
não entende toda essa gente, que pago o preço por amar
aquele que n'outras veredas, rasga o rumo n'outro estradar.
Como plantar consciência na terra insana do coração?
Se ele só se faz campo fértil, às sementes da paixão.
Me resta seguir penando, levando comigo ardor,
de olhar com olhos de cego e deixar passar o amor.
Quem sabe meu corpo alforria, abortando de vez o esp
inho,
me alivia do fardo dorido e me abre um novo caminho?
Não clamo jugo menor, apenas suspiro que venha, um breve alivio da dor.

"Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las..."
mesmo que não se sinta tão digno de recebê-las.
Aceito minha triste sina e embrenho mundo afora,
O meu martírio suportando, levando lembranças vividas.
carregando a minha dor, lambendo minhas feridas.
Quem não me conhece de perto, não percebe a ebulição,
alma atormentada, vivendo sob querências de insano coração.
A cada passo o sangue verte vivo da ferida do espinho,
sigo deixando marcas,rastros de sangue pelo caminho.

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Eu sem você

Um poema em forma de audio e vídeo... Lindo de ver e ouvir!
Degustem... Se possível, agarradinho!


terça-feira

A língua lambe


A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,

entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.

Demian _ Hermann Hesse

“Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo.

Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens,

além daquele que há em sua própria alma.

Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave.

Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo." (Demian)

Hermann Hesse


segunda-feira

O vazio que sobra



Paixão  platónica... A falta foi fato.
Falta de teu rosto, do teu cheiro... Do abraço.
O som do silêncio ecoa pelo quarto,
na cama uma lacuna ocupou seu espaço.
É só vácuo... Eu sou vácuo.
De ti sobrou só vácuo.

A ausência tem nome, tem forma, tem vida
que vibra pensando no gemer sôfrego
quando a língua buscava sem pudor, no teu dorso,
teus recantos, a fonte do teu, meu prazer.
Falta-me aos ouvidos o sussurro obsceno,
que jorrava no ar e escorria em meu corpo
 feito contas, feito gotas, feito em gozo.
É só vácuo... Sou só vácuo.
De tudo sobrou o vácuo

Já não te encontro nos meus sonhos,
Não me irrigas de gozo, de ti, do teu sumo...
É só falta de teu corpo a estremecer em meus braços,
em loucuras impensáveis, pecados inconfessáveis,
Não me sobraram odisseias nem aventuras realizáveis.
Nem tardes de espera ou noites de enlace.
É só vácuo... Eu sou vácuo.
De ti, de tudo sobrou o vácuo.


domingo

Tempo de Saudade

Tenho em mim saudade
daquele tempo em que a saudade,
embora fosse dorida,
tinha gosto de realidade.

Hoje se faz abstrata,
desbotada e sem sentido.
Saudade de um não sei quê,
do que nem se fora vivido.

Saudade assim não perdura,
o tempo só faz desgatar.
Lembrança, rota e sem cor,
vaga imagem a se dissipar.

Fumaça solta no vento,
quimera, sem tom de verdade.
Queria , num breve momento,
vestida de atroz sentimento,
vibrar com o ardor da saudade.

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sábado

Dúvidas


Nos doutes sont des traîtres, en nous faisant craindre d’agir, 
ils nous font perdre une bataille que nous pourrions souvent gagner.

sexta-feira

BEIJOS

 Não queres que eu te beije! E o beijo é a própria vida:

a invenção mais divina e humana do Senhor;

é o fogo em que se abrasa uma alma a outra alma unida;

é o prólogo e também o epílogo do amor!

 

  A lua beija o mar, nas ondas refletida;

o sol, beijando o céu, reveste-o de esplendor;

num beijo o orvalho alenta a planta emurchecida,

e a borboleta suga o mel beijando a flor...

 

  Deixa que o meu amor expanda os seus desejos,

 beijando os lábios teus sem nunca se fartar!

 Chega ao meu coração, escuta-lhe os latejos!

 

  A boca perfumada, ó deixa-me beijar!

Porque somente amando é que se trocam beijos

e porque só beijando é que se aprende a amar!


GUILHERME DE ALMEIDA 


Veneno certo

A distância só aguça
a paixão que se quer enganar.
Remédio errado ou veneno certo?

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quinta-feira

Pouco importa

Hoje não mudei a estação,
fundo musical dos meus devaneios,
já não importa.
Não li o horóscopo,
não joguei I Ching.
Isso não me importa.
Não abri e.mails,
não relí os antigos,
pouco me importa.
Se há rastros de sua passagem,
se na caixa há uma mensagem,
isso não me importa.
Se pensei num e.mail,
se desisti por saber a resposta,
pouco importa.
Se os diálogos são lacônicos,
se os debates são monólogos,
já não me importa.
Hoje tudo isso não me importa.
Hoje nada disso me importa.
Do cigarro que acendeste
restaram cinzas e fumaça.
Nem cancêr, nem prazer,
só resíduo.


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quarta-feira

Caos tatuado


Envolto em teu caos, parado no cais,
não percebes que o tempo se esvai.
Preferes ficar ruminando mazelas,
perdendo as delícias que o hoje te traz. 

Eu...
sou barco no mar, sou vela ao vento.
Do que esperei... De ti, só esboço fugaz.
Ao vento revolto alegre me rendo,
que dança, me toma, me arranca do cais.

A maresia anuncia, proximidade do mar.
A vela iça, a alma arde em brasa inflamada. 
O vento que sopra, o pelo na pele eriçado,
seu canto seduz, desperta do sono profundo,
tempestade no corpo, desejo de mundo.

E tu...
Estático no ancoradouro, 
escasseias o tempo de amar,
desperdiças teu tempo de viver,
Sobrevive à sombra do teu caos, 
te aconchegas no manto da dor. 

Reage presto enquanto é dia,
solta as amarras do estaleiro.
Quando enfim buscares o amor
este pode já haver partido,
levado pelo vento a outras paragens.
e te restar só caos, no peito incrustada tatuagem.

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segunda-feira

Amor Pródigo


_Amada minha, por onde andaste?
Meus olhos pendem cansados,
turvo por verter lágrimas.
da dor que tua ausência me traz,
Fui detentor de teus abraços,
não te preservei em meus braços,
agora sorvo o fel da angústia na foz.

_Amado meu, quando de mim te descuidaste,
lançando-me a própria sorte, perdi minha direção.
Em busca de uma quimera, de um bálsamo para solidão,
vaguei por caminhos sem norte, a procura de uma paixão.

_Volta amada minha, assim como foste, o teu lar ainda te espera.
Deixa-me curar tuas feridas, assim como das minhas cuidaste.
A tua ausência foi fel, amargou cada dia meu viver.
Se não estás ao meu lado, sou ave arredia a perecer.

_Meu amado, quero de novo amar, sem reservas, sem amarras.
Que eu possa me entregar, na certeza de seu cuidado.
Reiventemos o amor, num presente sem dor.
Recomeço sem passado, nem futuro promissor,
apenas eu, você, o hoje ... Seja como for.


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Onde estás?

A noite cai mansa,
a chuva branda, a terra orvalhando. 
Pensamento plaina a esmo buscando:
_ Onde estás? Meu amor, onde estás? 
Negro manto cobrindo o horizonte, obscuro e certeiro... 
Tão obscuro quanto é para mim teu paradeiro. 
Noite alta, terra molhada exala seu cheiro, 
úmida como meus olhos, 
fria como a distância. 
Vago só pelas ruas, esquinas, estâncias, 
você gravado em minhas lembranças. 
Tristes são os sonhos, amargo recanto, 
a noite é vazia, vaga de encanto!
Tanta é a saudade, vasta como o desejo, 
busco na memória o sabor de teu beijo. 
Pensamento voa a te buscar: 
_ Onde estás? Meu amor, onde estás...

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Cicatriz

Quem disse que mudei? Não importa que a tenham demolido. A gente continua morando na velha casa em que nasceu.

   Mário Quintana [pensador] www.pensador.info

 
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