aβsynto Vocέ: 2008

 

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.Há também quem garanta que nem todas, só as de verão.Isto não tem muita importância. O que interessa mesmo são os sonhos..."

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segunda-feira

Erótico e lírico... Coisas de Drummond!

A paixão medida

Trocaica te amei, com ternura dáctila
e gesto espondeu.
Teus iambos aos meus com força entrelacei.
Em dia alcmânico, o instinto ropálico
rompeu, leonino,
a porta pentâmetra.
Gemido trilongo entre breves murmúrios.
E que mais, e que mais, no crepúsculo ecóico,
senão a quebrada lembrança
de latina, de grega, inumerável delícia?

[Carlos Drummond de Andrade]

Pérolas de Drummond...

Lírico, erótico, sensual e sutil.

Cena que me persegue,

Paixão, fogo tomando forma, força!

Do Platônico para o visceral,

                 Do Onírico para o Real.     [Me]

Amarra teu coração ao meu...

De noite, amada, amarra teu coração ao meu
e que eles no sonho derrotem
as trevas como um duplo tambor
combatendo no bosque
contra o espesso muro das folhas molhadas.
Noturna travessia, brasa negra do sonho.
Interceptando o fio das uvas terrestres
com pontualidade de um trem descabelado
que sombra e pedras frias sem cessar arrastasse.
Por isso, amor, amarra-me ao movimento puro,
à tenacidade que em teu peito bate.

Com as asas de um cisne submergido,
para que as perguntas estreladas do céu
responda nosso sonho com uma só chave,
com uma só porta fechada pela sombra.

sexta-feira

Embalados por Drummond

Mon ChAt,

Reencontrei com esse mimo,
essa delícia de poema do Drummond,
coisa que aquece o coração.
pra fechar uma semana atípica e caótica.
Que o final de semana seja pacífico but...
Se ficar nublado, lembra que o sol sempre surge...
Se seu "dodói" doer lembra que de longe te velo...
Se sentir saudade, lembra...
Desse mal eu também padeço.

Síntese da Felicidade
"Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu."

quinta-feira

Amor é síntese


Por favor não me analise,
Não fique procurando cada ponto fraco meu,
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu
Ciumento, exigente, inseguro, carente,
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.
Amor é síntese,
É uma integração de dados,
Não há que tirar nem pôr.
Não me corte em fatias,
Ninguém consegue abraçar um pedaço,
Me envolva todo em seus braços
E eu serei perfeito, amor.
"Tão sábias palavras do Mário,
quem poderá resistir se olhado tão de perto?!
Talvez àqueles que não idealizem o ser amado.
Afinal se me amas, suportas também
meus defeitos."Eu...

segunda-feira

O teu cheiro em mim

O teu cheiro em mim

Por muitos dias,

tantos dias,

Eu amei-me a mim mesma.

sábado

Me gustas cuando callas


Me gustas cuando callas porque estás como ausente,

y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.

Parece que los ojos se te hubieran volado

y parece que un beso te cerrara la boca.

 

Como todas las cosas están llenas de mi alma

emerges de las cosas, llena del alma mía.

Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,

y te pareces a la palabra melancolía;

 

Me gustas cuando callas y estás como distante.

Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.

Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:

déjame que me calle con el silencio tuyo.

 

Déjame que te hable también con tu silencio

claro como una lámpara, simple como un anillo.

Eres como la noche, callada y constelada.

Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

 

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.

Distante y dolorosa como si hubieras muerto.

Una palabra entonces, una sonrisa bastan.

Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.

 [Pablo Neruda]

É assim que imagino...O Meu Amor


O meu amor
tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

O meu amor
tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos,
viola os meus ouvidos
Com tantos segredos
lindos e indecentes.
Depois brinca comigo,
ri do meu umbigo
E me crava os dentes
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

O meu amor
tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca,
quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita
O meu amor
tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios,
de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
[Chico Buarque]

Tanto gemer por...

Tanto Amar

Amo tanto e de tanto amar
Acho que ela é bonita
Tem um olho sempre a boiar
E outro que agita

Tem um olho que não está
Meus olhares evita
E outro olho a me arregalar
Sua pepita

A metade do seu olhar
Está chamando pra luta, aflita
E metade quer madrugar
Na bodeguita

Se os seus olhos eu for cantar
Um seu olho me atura
E outro olho vai desmanchar
Toda a pintura

Ela pode rodopiar
E mudar de figura
A paloma do seu mirar
Virar miúra

É na soma do seu olhar
Que eu vou me conhecer inteiro
Se nasci pra enfrentar o mar
Ou faroleiro

Amo tanto e de tanto amar
Acho que ela acredita
Tem um olho a pestanejar
E outro me fita

Suas pernas vão me enroscar
Num balé esquisito
Seus dois olhos vão se encontrar
No infinito

Amo tanto e de tanto amar
Em Manágua temos um chico
Já pensamos em nos casar
Em Porto Rico




quinta-feira

Delírio


Nua, mas para o amor
não cabe o pejo

Na minha a sua boca
eu comprimia.


E, em frêmitos carnais,
ela dizia:


_Mais abaixo, meu bem,
quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta
do meu desejo

Fremente, a minha boca obedecia,

E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:

_Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
_Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci....
"Cada poema, cada imagem arrebata-me para o dia
em que Saudade vai ser um vocábulo incrustado
nas páginas do dicionário, entre nós
há de reinar soberana a doce
Realidade."

O fogo que na branda cera ardia...

O fogo que na branda cera ardia,
Vendo o rosto gentil que eu na alma vejo,
Se acendeu de outro fogo do desejo,
Por alcançar a luz que vence o dia.
Como de dous ardores se incendia,
Da grande impaciência fez despejo,
E, remetendo com furor sobejo,
Vos foi beijar na parte onde se via.
Ditosa aquela flama, que se atreve
A apagar seus ardores e tormentos
Na vista de que o mundo tremer deve!
Namoram-se, Senhora,
os Elementos De vós,
e queima o fogo aquela neve
Que queima corações e pensamentos.


Saudade... pelas palavras de Neruda


Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…

Saudade é sentir que existe o que não existe mais…

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

by Pablo Neruda

terça-feira

Tenho tanto sentimento



Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

[Fernando Pessoa]
São tantos os sentimentos, pensamentos orbitando sempre em torno de ti,
 meu "angorá".

domingo

foi quando me dei conta...


Que sem pensar, premeditar... usei a palavras "Amor".
Estranho, eu que sempre policiei isso,
deixei escapar pelas palavras de Cervantes.

"Sonhar o sonho impossível,
Sofrer a angústia implacável,
Pisar onde os bravos não ousam,
Reparar o mal irreparável,
Amar um amor casto à distância,
Enfrentar o inimigo invencível,
Tentar quando as forças se esvaem,
Alcançar a estrela inatingível:
Essa é a minha busca."

[Miguel de Cervantes in  D.Quixote]

Pelas palavras de Pablo...


É Proibido              

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender os que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

[Pablo Neruda]

segunda-feira

De repente me lembrei...

Ele:
"Fujo para longe de ti,
evitando-te como a um inimigo,
mas incessantemente
te procuro em meu pensamento.
Trago tua imagem em minha memória
e assim me traio e contradigo,
eu te odeio, eu te amo."
Carta de Abelardo a Heloísa.

Ela:
"É certo que quanto maior é a
causa da dor, maior se faz
a necessidade de para ela
encontrar consolo, e este
ninguém pode me dar, além de ti.
Tu és a causa de minha pena,
e só tu podes me proporcionar conforto.
Só tu tens o poder de me entristecer,
de me fazer feliz ou trazer consolo."
Carta de Heloísa a Abelardo

domingo

Ao Amor Antigo

O amor antigo vive de si mesmo,

Não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
Mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
Feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
E por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
Aquilo que foi grande e deslumbrante,
O antigo amor, porém, nunca fenece
E a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
E resplandece no seu canto obscuro,
Tanto mais velho quanto mais amor.

[Carlos Drummond de Andrade]

Por que meus olhos me traem?

Por que meu coração ainda se aquece somente por vê-lo?

Seu olhar atrai o meu e quando se deparam... retribuis. Retribuo!

Fujo da masmorra a que me condenaste!

Finges deixar a porta aberta...Falso! 

  Sabes que as correntes que me prende a ti não se rompem facilmente. Foi tecida dia após dia...

     Com gestos sutis, olhares de soslaio, desejos velados, como quebrar os grilhões?!

[Eu]

sábado

Oceano Nox

Junto do mar, que erguia gravemente                     A trágica voz rouca, enquanto o vento

Passava como o voô dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das cousas, vagamente…

-Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que idéia gravitais?

Mas na imensa extensão, onde se esconde
O inconsciente imortal, só me responde 

Um bramido, um queixume, e nada mais…

O medo de Amar é o medo de ser Livre



O medo de amar é o medo de ser
Livre para o que der e vier
Livre para sempre estar onde o justo estiver.

O medo de amar é o medo de ter
De a todo momento escolher
Com acerto e precisão a melhor direção.

O sol levantou mais cedo e quis
Em nossa casa fechada entrar pra ficar

O medo de amar é não arriscar
Esperando que façam por nós
O que é nosso dever: recusar o poder.

O sol levantou mais cedo e cegou
O medo nos olhos de quem foi ver
Tanta luz.

O medo de Amar,
O medo de tentar, 
de errar e pior dos medos: 
O medo de, de repente... Acertar!
Abandonar nossa Zona de Conforto é um desafio.
 [Me]

sexta-feira

Angústia

Tortura do pensar!
Triste lamento!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro,
muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!

E não se quer pensar!
... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem,
dentro de nós ...
Querer apagar no céu
– ó sonho atroz!_
O brilho duma estrela, com o vento! ...

E não se apaga, não ... nada se apaga!
Vem sempre rastejando como a vaga ...
Vem sempre perguntando:
“_O que te resta? ...”

Ah! não ser mais que o vago, o infinito!
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de tigre na floresta!

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

"Mentira de água"


"Mentira de água...matar a sede."
Sua mentira: seus desejos só são seus.
Se os inspiro, também são meus!
Seus olhos já mediram cada palmo do meu corpo.

Seu olhar de soslaio, mensurou
cada centímetro
do meu "deriére"...
Minha bunda...f
irme e arredondada.
Olhar cortante, rasgando meus decotes,

"analisando" cada parte que me escapa,
a cada movimento mais brusco.

Sua expectativa à cata de meus mamilos,
rubros, presto a aflorarem.
Seios libertos, sob os panos da blusa,
cabem na palma da sua mão,
no diâmetro da sua boca.


E a análise continua,
agora vislumbra minhas pernas,
as coxas grossas, torneadas...

Por vezes desejou estar entrelaçado.

Se encontrar e se perder na recôndita gruta desejada,

sob
maciez da pele... Aveludada!

Seu olhar... minhas curvas,

Seu olfato... meu olor,

Seu paladar... meu sabor,
Seu tato... minha pele,
Sua audição... meus gemidos!


Seu corpo... meu olhar,

Seu cheiro... meu desejar,

Sua boca... meu degustar,
Sua pele...
meu apalpar,
Seu sexo... meu gozar.

Seus suspiros,
meus gemidos, seu gozar.

Nos desejamos,
És homem e eu mulher!

Frementemente nos queremos,

somos humanos, pulsamos, estamos vivos!
Covardemente... fugimos!

A vida segue nos punindo...

com eternos desencontros,

com orgasmos incompletos,

Uma satisfação
falsa ...
Consistente só a falta.

Se me queres tanto quanto te quero...me busca!
Se me desejas... Te espero .
Vem logo...Antes que a água seque!


Creative Commons License aβsynto Vocέ by K4AKIS'Production

A ética da tentativa

A ética e a moral subjugou-nos.
Sentenciou-nos o desencontro.
Impôs sobre nós suas amarras.
Sobre mim, o fel da sua ausência,
Sobre ti, o paramento missal,
a batina da abnegação cega.
Negando-nos direito da tentiva,
da busca, do alento, da felicidade.

Ética theoria est...
Regras e normas são algemas.
Moral por si só é vazia,
Regras naturalmente voláteis,
Tudo traz consigo exceção.
Não creio em doutrina que cerceia,
nem aceito ética que aniquila,
Confisca do homem o seu direito a busca.
Creio na ética que ampara os atos,
que norteia o homem nas tentativas de ser,
sem subtrair-lhe o que de mais humano há:
seu direito de tentar e errar!
Tentando o acerto, erra-se.
Erra-se mais não se tentando!
Nesse restrito espaço, chamado vida,
Ético mesmo é ser feliz.
Felicidade com tempo delimitado,
às vezes parca, às vezes verdadeira!
De concreto só nossa tentativa.


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AUSÊNCIA

'É assim que me coração fica sem você: sem leme,sem rumo,
à busca de ancoradouro...
Meu pensamento vaga, à deriva."[Eu]
Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar
os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

quinta-feira

A DOR DE TE ABORTAR

PEDAÇO DE MIM

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar

Que a saudade é o pior tormento

É pior do que o esquecimento

É pior do que se entrevar
.

Oh, pedaço de mim

Oh, metade exilada de mim

Leva os teus sinais

Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco

E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim

Oh, metade arrancada de mim

Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim

Leva o que há de ti

Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada

No membro que já perdi


Oh, pedaço de mim

Oh, metade adorada de mim

Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo

E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor

Adeus.
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Cicatriz

Quem disse que mudei? Não importa que a tenham demolido. A gente continua morando na velha casa em que nasceu.

   Mário Quintana [pensador] www.pensador.info

 
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