aβsynto Vocέ: 200905

 

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.Há também quem garanta que nem todas, só as de verão.Isto não tem muita importância. O que interessa mesmo são os sonhos..."

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quarta-feira

Inconfessável



O que me traduz,
aquilo que amo
ou o que me seduz?
Aquilo que odeio
ou tento em vão odiar?
E tentando odiar,
dispendo tanto tempo pensando
que por fim acabo amando,
mesmo não querendo,
ou tentando não querer.
Amando o que não quero,
querendo o que não possuo
possuindo o que não desejo,
desejando o que não tenho.
Vivendo em pleno desencontro,
me encontrando na incompletude,
caminhando entre sonhos soltos,
arrastando sentimentos presos
entre ataduras envoltos.
na completa quietude,
onde bradam meus segredos,
Inconfessáveis...


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segunda-feira

Amanhã, quem sabe...


O tempo parou ou serei eu,
quem estancou nessa altura.
Nem me adianto, nem retrocedo.
apenas me deixo ficar.
As horas passam,
o dia passa
e eu estanque.
Um mesmo pensar,
Um mesmo sentir,
Um mesmo estar
sem mesmo estar.
Um arrastar de dias
inúteis,
incontáveis
segundos...
Apenas segundos
sem enredo,
sem sentido,
sem vida,
sem rumo.
Aonde estarei indo?
Minha rota se perdeu,
minha bússola quebrou
meu norte ao sul,
meu sul a leste,
eu rumo a esmo,
largada à sorte,
ou falta dela.
Dias cheios
de alma vazia.
Vazia de si,
repleta de ti,
inefável sentir.
Quem sabe,
amanhã...

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sexta-feira

Prodígio


Prodígio! 

Como o Rei Lear não sentes a tormenta 
Que te desaba na fatal cabeça! 
(Que o céu d'estrelas todo resplandeça.) 
A tua alma, na Dor, mais nobre aumenta. 

A Desventura mais sanguinolenta 
Sobre os teus ombros impiedosa desça, 
Seja a treva mais funda e mais espessa, 
Todo o teu ser em músicas rebenta. 

Em músicas e em flores infinitas 
De aromas e de formas esquisitas 
E de um mistério singular, nevoento... 

Ah! só da Dor o alto farol supremo 
Consegue iluminar, de extremo a extremo, 
o estranho mar genial do Sentimento! 

terça-feira

A luz se foi...

§                     "A  luz se foi e agora nada mais resta a não ser esperar por 

um novo sol, um novo dia, nascido do mistério do tempo 

e do amor do homem pela luz".


Gore Vidal- "Juliano" (1964)

Sombras e Poesias



Vento forte que agora sopra,
impiedoso és com as folhas secas. 
Amareladas e frágeis se equilibram
num fio de vida que ainda resta,
aresta de um tempo que se fora,
onde o ar clorofilado reinava.

Brisa impetuosa que abala,
sua melodia  remete
aos cantos fúnebres de saudade.
Vejo as folhas secas pelo chão,
suas hastes estalam sob os pés,
restos da vida macerado, moido.
Folha que fora, hoje  ruído,
do seu triturar, é só o que és.

Aragem que deslisa por entre as copas,
a leveza das folhas me lembram
os sonhos alegres que tive.
Mesmo sendo noite, os sonhos luziam
então veio o sol, luz que as sombras dissipam , 
que apaga o brilho das fantasias.
Dos sonhos sonhados restaram sombras e poesias.
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segunda-feira


AMOR   DE  TARDE

É uma pena você não estar comigo
quando olho o rel
ógio e  são cinco
e termino a planilha e penso dez minutos
e estico as pernas como todas as tardes
e fa
ço assim com os ombros para relaxar as costas
e estalo os dedos e arranco mentiras.

É uma pena você não estar comigo
quando olho o rel
ógio e  são cinco
e eu sou uma manivela que calcula juros
ou duas mãos que pulam sobre quarenta teclas
ou um ouvido que escuta como ladra o telefone
ou um tipo que faz 
meros e lhes arranca verdades.

É uma pena você não estar comigo
quando olho o rel
ógio e  são seis
Voc
ê podia chegar de repente
e dizer "e a
í ?" E ficaríamos
eu com a mancha vermelha dos seus l
ábios
voc
ê com o risco azul do meu carbono.

Ψolhos Pensantes: Você é contra ou a favor do Aborto



Linkei um vídeo que aborda de forma sutil a situação do aborto. 
Vale ver e refletir... Pensar nunca é demais!
Abraços.

quinta-feira

Minhas palavras, outras vozes


Busco ávida por poemas não lidos,

neles, resposta minhas

em dizeres alheios.

A palavra mal absorvida,

A emoção mal resolvida.

Acordo Clarice,

durmo Cecília,

eu,revisited em Pessoa,

em sua, minha angústia.

Tento buscar em outras

bocas, outras vozes,

velhas palavras,

que se esconderam,

quando deviam se expor.

Emoção que se desnudaram...

quando precisavam se recolher.

Vozes que explodiram...

quando o melhor era calar.

Leio Neruda, sonetos

que exaltam amor.

De Quintana,busco a sabedoria

leve e livre, de Drummond

a doçura,que me alcança,

me amansa, como um bolero de Ravel,

e preenche o oco do carinho seu.

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segunda-feira

Ponto de Ebulição


Ponto de ebulição!
A temperatura sobe,
o líquido ferve,
derrama, espalha
e não se junta mais.
Líquido, palavra perdida
por se passar do ponto
ou quem sabe chegar,
no ponto certo,
ponto de ebulição.
As emoções que eclodem
dentro do peito aprisionadas,
acabam por explodir
em turbilhão de palavras
que enchem o ar escoam no chão.
Pouco se guarda por tanto tempo.
Muito se reprime por algum tempo.
Tudo se regurgita no tempo certo.
Nem longe, sem sombra de lembrança,
nem perto demais, pura destemperança.
No tempo certeiro, desemboca aguaceiro
de pura emoção expelida num turbilhão.
Após tanto líquido derramado, palavras, 
mágoas despejadas pouco resta, resíduos, 
sobras da emoção, de tudo... Somente manchas 
do líquido, espalhado pelo chão. 
Ponto de Ebulição.



fulmina

sábado

Musica que encanta...


Lindo de ver e de se ouvir!!!
Nina Simone é demais! Só pra aquecer nosso coração...

sexta-feira

Círculo eterno

Círculo Eterno

Rumino s minhas mazelas,

busco alforria da dor.

Sinto-me tola, atolada,

presa em armadilhas

que eu mesma criei.

Qual ave sob alçapão,

se debate aflito em mim

um coração, agitado no peito,

refém da própria emoção.

Na busca do porto seguro,

optei pelo corpo seguro.

Preciso aportar, sobreviver

à angustia de querer.

a busca insana, infundada. 

Perdi minhas coordenadas

vagando em círculos eternos.

Delírio e verdade se fundiram

e me confundiram. Voei e me perdi.

Vivi náufrago de meu próprio sentir.

De amarras solta a vida conduz

meu destino, o de alguém comum,

amores possíveis, dores previsíveis.

Um sábado para sair, um domingo 

para dormir e poucas desgraças,

depois da utopia, isto me basta.

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quinta-feira

Amor em fúria

AMOR  EM  FURIA



Não houve adeus, nem até breve,
nem mesmo bilhete, em roto papel,
sumiu com vento.
Um gosto amargo tomou a boca,
jamais sentira ódio tamanho
como também nunca amara
ou desejara de modo igual.
Avenidas cheias, calçadas lotadas
pessoas se cruzam, se olham
eles se cruzam, ele não olha,
ela porém os percebe.
Riem, arrulham alegres,
cúmplices, enamorados, amantes.
Um gosto amargo tomou a boca,
jamais sentira ódio tamanho
como também nunca amara
ou desejara de modo igual.
Se tivesse uma arma...
Arma e amar de repente de fundem.
Palavras e sentimentos se confundem.
No fundo sabia,
tanto amar não renderia
nada que fosse doce,
posto que  amar é cruel,
oposto de amar é odiar,
odiar leva a se armar.
Se engana quem pensa
ser o amor pacífico.
Amor é dilema, inquisição.
Sentimento sobre razão.
Guerra demanda dor,
a guerra do amor,
o amor da dor,
a dor de amar,
de se armar.
Saiu, esbravejou,
buscou um canto, chorou.
Um gosto amargo tomou a boca,
jamais sentira ódio tamanho
como também nunca amara
ou desejara de modo igual.
Instante eterno de cólera,
furia a ver que se entregara, 
dera amor a quem, por capricho,
só quis brincar de bem querer.
Noite insone com seus demônios,
abandonada, dilacerada, ferida.
dominada pela cólera, rendida,
sai de manhã, por companhia... a arma.
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Poema escrito para o site 7Pecados Capitais

quarta-feira

Adeus!

ADEUS

 

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,

e o que nos ficou não chega

para afastar o frio de quatro paredes.

Gastámos tudo menos o silêncio.

Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,

gastámos as mão à força de as apertarmos,

gastámos o relógio e as pedras das esquinas

em esperas inúteis.

 

Meto as mãos nas algibeiras

e não encontro nada.

Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!

Era como se todas as coisas fossem minhas:

quanto mais te dava mais tinha para te dar.

 

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!

e eu acreditava.

Acreditava,

porque ao teu lado

todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,

no tempo em que o teu corpo era um aquário,

no tempo em que os meus olhos

eram peixes verdes.

Hoje são apenas os meus olhos.

É pouco, mas é verdade,

uns olhos como todos os outros.

 

Já gastámos as palavras.

Quando agora digo: meu amor...,

já se não passa absolutamente nada.

E no entanto, antes das palavras gastas,

tenho a certeza

de que todas as coisas estremeciam

só de murmurar o teu nome

no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.

Dentro de ti

não há nada que me peça água.

O passado é inútil como um trapo.

E já te disse: as palavras estão gastas.

 

Adeus.

Eugénio de Andrade 

sábado

Flores inertes do vaso da sala


Construíste tua paz tapando com cimento, como fazem os cupins,
todas as saídas para a luz. Ficaste enroscado em tua segurança burguesa,
em tuas rotinas, nos ritos sufocantes de tua vida provinciana."
(Antoine de Saint-Exupery-"Terra dos Homens")


Flores imóveis no vaso da sala
engodo de vida com cheiro forte
perpetua o aroma de morte
que sua falsa beleza exala.
Enredo vazio de vida
que não vale palavra dita
nem batida repetida,
cadência do coração.
Nenhum poema merece,
nem enlevo, injúria ou prece.

Suceder de mais ou menos
mero contar de calendário,
vida com itinerário.
Sem arroubos insanos,
sem maiores enganos.
Vida dentro do esperado,
com horário planejado,
sem espaço pro inusitado,
viver e morrer agendado.

Organizado suceder de dias,
tempo exato, fatura liquidada,
conta paga, parcela quitada.
Alocar de dores e alegrias,
que aconteça como escrito,
nada que não esteja previsto.
A vida tem que seguir nos trilhos,
contas,casa, família, filhos.
uma gripe, uma tosse, um escarro,
um baseado, um orgasmo, um cigarro.

"Construíste tua paz tapando com cimento,
como fazem os cupins, todas as saídas para a luz."
A rotina que te conduz,
teu esteio, teu norte,
te rouba também toda sorte
que ao imprevisto apraz.
E as flores inertes que ornam
teu recinto de falsa alegria,
te serão derradeira companhia
quando te vier ao encontro a morte,
estação final dessa vil romaria.

k4akis


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Cicatriz

Quem disse que mudei? Não importa que a tenham demolido. A gente continua morando na velha casa em que nasceu.

   Mário Quintana [pensador] www.pensador.info

 
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