aβsynto Vocέ: Poemas Amor

 

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.Há também quem garanta que nem todas, só as de verão.Isto não tem muita importância. O que interessa mesmo são os sonhos..."

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quarta-feira

Nuvens em mim...

Debaixo da nuvem de poeira
vasculho tentando encontrar,
algo que enfim valha:
o resgate,
a restauração,
a manutenção,
a imersão
na nuvem enfim.

Debaixo da nuvem de poeira
vasculho tentando encobrir,
moral que insufla,
beijo asséptico,
face simétrica
de perfil assimétrico
que não quero refletido
no aço do espelho
manchado de janeiros.

Debaixo da nuvem de poeira
vasculho tentando aflorar
dos sonhos, o esqueleto,
da videira, o jirau
da poesia, o varal,
dos contos, as contas,
dos pontos, a linha
do norte, a trilha
do inicio, o fim
que cada partícula
de poeira
flutuante, flutuando
leva de mim.

k4akis

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domingo

Adoro Pau mole!


Um vídeo do poema "Adoro Pau Mole" de Maria Resende, filha do cineasta Sérgio Rezende e da produtora Mariza Leão. Seu primeiro livro lançado chama-se “Substantivo Feminino” , um livro de poemas, prefácio de Elisa Lucinda, com versos ousados, abordando o sexo de maneira clara e sem metáforas .

quinta-feira

Eros e Psique


Eros e Psique


Fernando Pessoa
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.


Publicado pela primeira vez in Presença, n.os 41-42, Coimbra, maio de 1934. Acerca da epígrafe que encabeça
este poema diz o próprio autor a uma interrogação levantada pelo crítico A. Casais Monteiro, em carta a este
último:

A citação, epígrafe ao meu poema "Eros e Psique", de um trecho (traduzido, pois o Ritual é em latim) do
Ritual do Terceiro Grau da Ordem Templária de Portugal, indica simplesmente - o que é fato - que me foi
permitido folhear os Rituais dos três primeiros graus dessa Ordem, extinta, ou em dormência desde cerca de
1888. Se não estivesse em dormência, eu não citaria o trecho do Ritual, pois se não devem citar (indicando a
origem) trechos de Rituais que estão em trabalho [In VO/II.]

Vinicianas

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço

De noite ardo.

A oeste a morte

Contra quem vivo

Do sul cativo

O este é meu norte.

Outros que contem

Passo por passo:

Eu morro ontem

Nasço a manhã ã

Ando onde há espaço:

- Meu tempo é quando.

(Vinicius de Morais)


domingo

Epigrama

Amar, foder: uma união

De prazeres que não separo.

A volúpia e os prazeres são

O que a alma possui de mais raro.

Caralho, cona e corações

Juntam-se em doces efusões

Que os crentes censuram, os loucos.

Reflete nisso, oh minha amada:

Amar sem foder é bem pouco,

Foder sem amar não é nada.

sábado

Beijo Eterno

Diz tua boca: "Vem!"
"Inda mais!" diz a minha, a soluçar...Exclama
Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
"Morde também!"
Ai! morde! que doce é a dor
Que me entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura,
Morro por teu amor!

Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo!
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

quarta-feira

Inconfessável



O que me traduz,
aquilo que amo
ou o que me seduz?
Aquilo que odeio
ou tento em vão odiar?
E tentando odiar,
dispendo tanto tempo pensando
que por fim acabo amando,
mesmo não querendo,
ou tentando não querer.
Amando o que não quero,
querendo o que não possuo
possuindo o que não desejo,
desejando o que não tenho.
Vivendo em pleno desencontro,
me encontrando na incompletude,
caminhando entre sonhos soltos,
arrastando sentimentos presos
entre ataduras envoltos.
na completa quietude,
onde bradam meus segredos,
Inconfessáveis...


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terça-feira

Sombras e Poesias



Vento forte que agora sopra,
impiedoso és com as folhas secas. 
Amareladas e frágeis se equilibram
num fio de vida que ainda resta,
aresta de um tempo que se fora,
onde o ar clorofilado reinava.

Brisa impetuosa que abala,
sua melodia  remete
aos cantos fúnebres de saudade.
Vejo as folhas secas pelo chão,
suas hastes estalam sob os pés,
restos da vida macerado, moido.
Folha que fora, hoje  ruído,
do seu triturar, é só o que és.

Aragem que deslisa por entre as copas,
a leveza das folhas me lembram
os sonhos alegres que tive.
Mesmo sendo noite, os sonhos luziam
então veio o sol, luz que as sombras dissipam , 
que apaga o brilho das fantasias.
Dos sonhos sonhados restaram sombras e poesias.
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quinta-feira

Minhas palavras, outras vozes


Busco ávida por poemas não lidos,

neles, resposta minhas

em dizeres alheios.

A palavra mal absorvida,

A emoção mal resolvida.

Acordo Clarice,

durmo Cecília,

eu,revisited em Pessoa,

em sua, minha angústia.

Tento buscar em outras

bocas, outras vozes,

velhas palavras,

que se esconderam,

quando deviam se expor.

Emoção que se desnudaram...

quando precisavam se recolher.

Vozes que explodiram...

quando o melhor era calar.

Leio Neruda, sonetos

que exaltam amor.

De Quintana,busco a sabedoria

leve e livre, de Drummond

a doçura,que me alcança,

me amansa, como um bolero de Ravel,

e preenche o oco do carinho seu.

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sexta-feira

Círculo eterno

Círculo Eterno

Rumino s minhas mazelas,

busco alforria da dor.

Sinto-me tola, atolada,

presa em armadilhas

que eu mesma criei.

Qual ave sob alçapão,

se debate aflito em mim

um coração, agitado no peito,

refém da própria emoção.

Na busca do porto seguro,

optei pelo corpo seguro.

Preciso aportar, sobreviver

à angustia de querer.

a busca insana, infundada. 

Perdi minhas coordenadas

vagando em círculos eternos.

Delírio e verdade se fundiram

e me confundiram. Voei e me perdi.

Vivi náufrago de meu próprio sentir.

De amarras solta a vida conduz

meu destino, o de alguém comum,

amores possíveis, dores previsíveis.

Um sábado para sair, um domingo 

para dormir e poucas desgraças,

depois da utopia, isto me basta.

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quarta-feira

Adeus!

ADEUS

 

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,

e o que nos ficou não chega

para afastar o frio de quatro paredes.

Gastámos tudo menos o silêncio.

Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,

gastámos as mão à força de as apertarmos,

gastámos o relógio e as pedras das esquinas

em esperas inúteis.

 

Meto as mãos nas algibeiras

e não encontro nada.

Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!

Era como se todas as coisas fossem minhas:

quanto mais te dava mais tinha para te dar.

 

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!

e eu acreditava.

Acreditava,

porque ao teu lado

todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,

no tempo em que o teu corpo era um aquário,

no tempo em que os meus olhos

eram peixes verdes.

Hoje são apenas os meus olhos.

É pouco, mas é verdade,

uns olhos como todos os outros.

 

Já gastámos as palavras.

Quando agora digo: meu amor...,

já se não passa absolutamente nada.

E no entanto, antes das palavras gastas,

tenho a certeza

de que todas as coisas estremeciam

só de murmurar o teu nome

no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.

Dentro de ti

não há nada que me peça água.

O passado é inútil como um trapo.

E já te disse: as palavras estão gastas.

 

Adeus.

Eugénio de Andrade 

quinta-feira

Pecado é renunciar


A razão evadiu quando meus olhos
pousaram nos teus, negro abismo.
Renunciar a paixão, como posso?
Paixão é o ar que inunda o peito,
o sangue que preenche as veias,
fôlego da vida e fuga da morte.
Não se maldiz o que se ama, por sorte
encontrar uma paixão, inda que tardia
é garantir um sopro de sonho todo dia.
Fingis ignorar meu desejo,
acaso não seria também o teu?
Podes sentí-lo, mas vivê-lo...Deus!
Tantas são as amarras que impedem
o desatar sem o receio do ardor,
permitir-se, sem censura ou reservas.
Libertar os sentidos, se despir da razão,
bússola dos atos, atender ao desejo
insensato, mergulhar no fosso da paixão.
A pira do desejo arde, inflama  corpos e mente.
"Pecado é provocar desejo e depois renunciar..."
Inaceitável é ter uma paixão e não se entregar.

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quarta-feira

Borboletas na sala


Uma borboleta plaina no vazio da sala
vejo seu bater de asa leve e
intenso como o pensamento
que livre te busca. Como o voejar
da borboleta que plaina absoluta
meu pensamento salta a procurar-te.

Pensamento em voo livre, disperso
num aflito rastrear por pouso
perdeu-se onde liberdade não há.
o tempo lhe surrupiou o repouso e
giras em torno de si mesmo,
rodopiando inútil a esmo.

Voo débil, sem bússola que aponte
o norte , legado à própria sorte,
ou sua falta. Buscas um horizonte
num bater e rebater de asas
neste vácuo entre o pensamento que nos ata,
neste abismo do espaço que nos afasta.
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domingo

Goles de Você




Sinto sede, sede essa que parece querer matar minh'alma...
Sede sim, mas, não de água, não de um líquido qualquer...
Sede de você, sede de seu amor, sede de tomar goles de você...
Sinto sede e sei onde posso saciá-la, entretanto tento conter-me...
Sinto sede e sei onde está a fonte que pode saciar-me, contudo...
A fonte parece secar ao me ver chegar!
Que terá feito eu para não merecer goles de você?
A verdade é só uma, minha sede insaciável e a única fonte é você!
Sinto sede e o líquido do amor jorra de você e quem dera fosse para mim...
Sinto sede e a causa desta sede é o amor que pulsa em meu ser...
Sinto sede... e tenho um desejo...
Desejo goles de você, desejo goles de seu amor!

Cicatriz

Quem disse que mudei? Não importa que a tenham demolido. A gente continua morando na velha casa em que nasceu.

   Mário Quintana [pensador] www.pensador.info

 
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