aβsynto Vocέ: Flores inertes do vaso da sala

 

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.Há também quem garanta que nem todas, só as de verão.Isto não tem muita importância. O que interessa mesmo são os sonhos..."

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sábado

Flores inertes do vaso da sala


Construíste tua paz tapando com cimento, como fazem os cupins,
todas as saídas para a luz. Ficaste enroscado em tua segurança burguesa,
em tuas rotinas, nos ritos sufocantes de tua vida provinciana."
(Antoine de Saint-Exupery-"Terra dos Homens")


Flores imóveis no vaso da sala
engodo de vida com cheiro forte
perpetua o aroma de morte
que sua falsa beleza exala.
Enredo vazio de vida
que não vale palavra dita
nem batida repetida,
cadência do coração.
Nenhum poema merece,
nem enlevo, injúria ou prece.

Suceder de mais ou menos
mero contar de calendário,
vida com itinerário.
Sem arroubos insanos,
sem maiores enganos.
Vida dentro do esperado,
com horário planejado,
sem espaço pro inusitado,
viver e morrer agendado.

Organizado suceder de dias,
tempo exato, fatura liquidada,
conta paga, parcela quitada.
Alocar de dores e alegrias,
que aconteça como escrito,
nada que não esteja previsto.
A vida tem que seguir nos trilhos,
contas,casa, família, filhos.
uma gripe, uma tosse, um escarro,
um baseado, um orgasmo, um cigarro.

"Construíste tua paz tapando com cimento,
como fazem os cupins, todas as saídas para a luz."
A rotina que te conduz,
teu esteio, teu norte,
te rouba também toda sorte
que ao imprevisto apraz.
E as flores inertes que ornam
teu recinto de falsa alegria,
te serão derradeira companhia
quando te vier ao encontro a morte,
estação final dessa vil romaria.

k4akis


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Cicatriz

Quem disse que mudei? Não importa que a tenham demolido. A gente continua morando na velha casa em que nasceu.

   Mário Quintana [pensador] www.pensador.info

 
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