aβsynto Vocέ

 

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.Há também quem garanta que nem todas, só as de verão.Isto não tem muita importância. O que interessa mesmo são os sonhos..."

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sábado

Musica que encanta...


Lindo de ver e de se ouvir!!!
Nina Simone é demais! Só pra aquecer nosso coração...

sexta-feira

Círculo eterno

Círculo Eterno

Rumino s minhas mazelas,

busco alforria da dor.

Sinto-me tola, atolada,

presa em armadilhas

que eu mesma criei.

Qual ave sob alçapão,

se debate aflito em mim

um coração, agitado no peito,

refém da própria emoção.

Na busca do porto seguro,

optei pelo corpo seguro.

Preciso aportar, sobreviver

à angustia de querer.

a busca insana, infundada. 

Perdi minhas coordenadas

vagando em círculos eternos.

Delírio e verdade se fundiram

e me confundiram. Voei e me perdi.

Vivi náufrago de meu próprio sentir.

De amarras solta a vida conduz

meu destino, o de alguém comum,

amores possíveis, dores previsíveis.

Um sábado para sair, um domingo 

para dormir e poucas desgraças,

depois da utopia, isto me basta.

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quinta-feira

Amor em fúria

AMOR  EM  FURIA



Não houve adeus, nem até breve,
nem mesmo bilhete, em roto papel,
sumiu com vento.
Um gosto amargo tomou a boca,
jamais sentira ódio tamanho
como também nunca amara
ou desejara de modo igual.
Avenidas cheias, calçadas lotadas
pessoas se cruzam, se olham
eles se cruzam, ele não olha,
ela porém os percebe.
Riem, arrulham alegres,
cúmplices, enamorados, amantes.
Um gosto amargo tomou a boca,
jamais sentira ódio tamanho
como também nunca amara
ou desejara de modo igual.
Se tivesse uma arma...
Arma e amar de repente de fundem.
Palavras e sentimentos se confundem.
No fundo sabia,
tanto amar não renderia
nada que fosse doce,
posto que  amar é cruel,
oposto de amar é odiar,
odiar leva a se armar.
Se engana quem pensa
ser o amor pacífico.
Amor é dilema, inquisição.
Sentimento sobre razão.
Guerra demanda dor,
a guerra do amor,
o amor da dor,
a dor de amar,
de se armar.
Saiu, esbravejou,
buscou um canto, chorou.
Um gosto amargo tomou a boca,
jamais sentira ódio tamanho
como também nunca amara
ou desejara de modo igual.
Instante eterno de cólera,
furia a ver que se entregara, 
dera amor a quem, por capricho,
só quis brincar de bem querer.
Noite insone com seus demônios,
abandonada, dilacerada, ferida.
dominada pela cólera, rendida,
sai de manhã, por companhia... a arma.
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Poema escrito para o site 7Pecados Capitais

quarta-feira

Adeus!

ADEUS

 

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,

e o que nos ficou não chega

para afastar o frio de quatro paredes.

Gastámos tudo menos o silêncio.

Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,

gastámos as mão à força de as apertarmos,

gastámos o relógio e as pedras das esquinas

em esperas inúteis.

 

Meto as mãos nas algibeiras

e não encontro nada.

Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!

Era como se todas as coisas fossem minhas:

quanto mais te dava mais tinha para te dar.

 

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!

e eu acreditava.

Acreditava,

porque ao teu lado

todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,

no tempo em que o teu corpo era um aquário,

no tempo em que os meus olhos

eram peixes verdes.

Hoje são apenas os meus olhos.

É pouco, mas é verdade,

uns olhos como todos os outros.

 

Já gastámos as palavras.

Quando agora digo: meu amor...,

já se não passa absolutamente nada.

E no entanto, antes das palavras gastas,

tenho a certeza

de que todas as coisas estremeciam

só de murmurar o teu nome

no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.

Dentro de ti

não há nada que me peça água.

O passado é inútil como um trapo.

E já te disse: as palavras estão gastas.

 

Adeus.

Eugénio de Andrade 

sábado

Flores inertes do vaso da sala


Construíste tua paz tapando com cimento, como fazem os cupins,
todas as saídas para a luz. Ficaste enroscado em tua segurança burguesa,
em tuas rotinas, nos ritos sufocantes de tua vida provinciana."
(Antoine de Saint-Exupery-"Terra dos Homens")


Flores imóveis no vaso da sala
engodo de vida com cheiro forte
perpetua o aroma de morte
que sua falsa beleza exala.
Enredo vazio de vida
que não vale palavra dita
nem batida repetida,
cadência do coração.
Nenhum poema merece,
nem enlevo, injúria ou prece.

Suceder de mais ou menos
mero contar de calendário,
vida com itinerário.
Sem arroubos insanos,
sem maiores enganos.
Vida dentro do esperado,
com horário planejado,
sem espaço pro inusitado,
viver e morrer agendado.

Organizado suceder de dias,
tempo exato, fatura liquidada,
conta paga, parcela quitada.
Alocar de dores e alegrias,
que aconteça como escrito,
nada que não esteja previsto.
A vida tem que seguir nos trilhos,
contas,casa, família, filhos.
uma gripe, uma tosse, um escarro,
um baseado, um orgasmo, um cigarro.

"Construíste tua paz tapando com cimento,
como fazem os cupins, todas as saídas para a luz."
A rotina que te conduz,
teu esteio, teu norte,
te rouba também toda sorte
que ao imprevisto apraz.
E as flores inertes que ornam
teu recinto de falsa alegria,
te serão derradeira companhia
quando te vier ao encontro a morte,
estação final dessa vil romaria.

k4akis


quinta-feira

Pecado é renunciar


A razão evadiu quando meus olhos
pousaram nos teus, negro abismo.
Renunciar a paixão, como posso?
Paixão é o ar que inunda o peito,
o sangue que preenche as veias,
fôlego da vida e fuga da morte.
Não se maldiz o que se ama, por sorte
encontrar uma paixão, inda que tardia
é garantir um sopro de sonho todo dia.
Fingis ignorar meu desejo,
acaso não seria também o teu?
Podes sentí-lo, mas vivê-lo...Deus!
Tantas são as amarras que impedem
o desatar sem o receio do ardor,
permitir-se, sem censura ou reservas.
Libertar os sentidos, se despir da razão,
bússola dos atos, atender ao desejo
insensato, mergulhar no fosso da paixão.
A pira do desejo arde, inflama  corpos e mente.
"Pecado é provocar desejo e depois renunciar..."
Inaceitável é ter uma paixão e não se entregar.

Creative Commons License aβsynto Vocέ by K4AKIS'Production

quarta-feira

Borboletas na sala


Uma borboleta plaina no vazio da sala
vejo seu bater de asa leve e
intenso como o pensamento
que livre te busca. Como o voejar
da borboleta que plaina absoluta
meu pensamento salta a procurar-te.

Pensamento em voo livre, disperso
num aflito rastrear por pouso
perdeu-se onde liberdade não há.
o tempo lhe surrupiou o repouso e
giras em torno de si mesmo,
rodopiando inútil a esmo.

Voo débil, sem bússola que aponte
o norte , legado à própria sorte,
ou sua falta. Buscas um horizonte
num bater e rebater de asas
neste vácuo entre o pensamento que nos ata,
neste abismo do espaço que nos afasta.
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segunda-feira

Apimentando a relação

Como deixar sua parceira feliz:
Orgasmo Feminino
1. Elas primeiro
Para satisfazer uma mulher um pouco do velho cavalheirismo ajuda muito. Para que você não pense que este tipo de cortesia é exagerada lembre-se de Lorena Bobbitt que, quando interrogada pela polícia sobre a razão que havia cortado fora o pênis de seu marido respondeu: "Ele sempre tem um orgasmo e não me espera. É injusto." Preciso dizer mais alguma coisa?"
Para continuar lendo click no link Ψolhos Pensantes

domingo

Goles de Você




Sinto sede, sede essa que parece querer matar minh'alma...
Sede sim, mas, não de água, não de um líquido qualquer...
Sede de você, sede de seu amor, sede de tomar goles de você...
Sinto sede e sei onde posso saciá-la, entretanto tento conter-me...
Sinto sede e sei onde está a fonte que pode saciar-me, contudo...
A fonte parece secar ao me ver chegar!
Que terá feito eu para não merecer goles de você?
A verdade é só uma, minha sede insaciável e a única fonte é você!
Sinto sede e o líquido do amor jorra de você e quem dera fosse para mim...
Sinto sede e a causa desta sede é o amor que pulsa em meu ser...
Sinto sede... e tenho um desejo...
Desejo goles de você, desejo goles de seu amor!

sexta-feira

Cantos e recantos



ABANDONA TEU CORPO NO MEU

Solta teu corpo no abandono
no abraço dos meus braços vazios,
deita no espaço do meu colo,
se fundem e se confunde em mim,
num desejo infinito de pertencer.

Singra meus rios no leito,
na fonte, vertente de mim.
Apaga os resíduos de ontem,
restos, descasos de casos
passados sem cor, só dor.

A noite vem cobrindo mansa,
entrando, sombreando a casa
Se tu vieres e ocupar teu lugar
o lume de ti há de iluminar
os cantos sombrios que ficam
quando a noite teima em entrar
no quarto, no peito, na vida,
Vem em tempo de iluminar
os cantos deste meu recanto.

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Cicatriz

Quem disse que mudei? Não importa que a tenham demolido. A gente continua morando na velha casa em que nasceu.

   Mário Quintana [pensador] www.pensador.info

 
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