aβsynto Vocέ

 

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.Há também quem garanta que nem todas, só as de verão.Isto não tem muita importância. O que interessa mesmo são os sonhos..."

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sexta-feira

Amar com gozo

Quando o amar se faz gosto,
O cenário não importa, vale amar e ser amado... 
Entrega-se sob a chuva ou sob o chuveiro, 
envoltos em cinzas ou sob os lençóis.
Deseja-se sobre a grama, sob a lama, entre chamas,
num incandescente abandono.
Se ama em meio as folhas de outono 
ou sobre um manto de girassóis.
Quando o amar se faz com gozo, 
o gozar se faz gostoso.

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Menina Solar


Doce menina solar,
que aquece e nasceu pra luzir,
onde esqueceste o teu riso,
onde escondeste o sorriso?
Menina nascida para amar,
despe dessa mortalha,
que por opção veio usar.
O tempo passa menina,
Ontem te escapou.
Hoje é o dia,
do amanhã, só falácia.
Se ficas contemplativa,
passa o dia,
passa a tarde,
a noite chega e passa.
Passa o momento de amar,
escoa o tempo de viver.
Menina solar,
ao que busca teu aconchego,
afaga e acolhe-o.
Oferta-lhe mais que teus peitos,
dê-lhe coxas, abra-lhe o ventre ,
envolva-o e lhe cubra de beijos.
Deixe que os mortos velem seus mortos,
que os infelizes se nutram da dor,
que os abutres se fartem das sobras.
Você que se encharque de luz e calor,
e aqueça o mundo que gira ao redor.

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quinta-feira

Previsão do tempo



Anoiteceu ...

Uma noite úmida.
Úmidos estamos a sós.
Eu molhada de você.
Você enxarcado de mim.
O quarto inebriado de nós.
Em meio ao cansaço e olor,
a exaustão vem surpreender.
os corpos atados que se pendem,
num sereno adormecer.

Amanheceu ...
Corpos agora sedentos,
resquicio da noite ainda na cama.
Os corpos se tocam,
tangem e vibram.
O corpo é fonte, a água verte,
que no começo tímida escorre,
em cachoeira se converte.
O dia será úmido...

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Na cama... com Drummond

O que se passa na cama

(O que se passa na cama
é segredo de quem ama.)

É segredo de quem ama
não conhecer pela rama
gozo que seja profundo,
elaborado na terra
e tão fora deste mundo
que o corpo, encontrando o corpo
e por ele navegando,
atinge a paz de outro horto,
noutro mundo: paz de morto,
nirvana, sono do pênis.

Ai, cama canção de cuna,
dorme, menina, nanana,
dorme onça suçuarana,
dorme cândida vagina,
dorme a última sirena
ou a penúltima… O pênis
dorme, puma, americana
fera exausta. Dorme, fulva
grinalda de tua vulva.

E silenciem os que amam,
entre lençol e cortina
ainda úmidos de sêmen,
estes segredos de cama.

[Drummond]

Amor Pródigo


_Amada minha, por onde andaste?
Meus olhos pendem cansados,
turvo por verter lágrimas.
da dor que tua ausência me traz,
Fui detentor de teus abraços,
não te preservei em meus braços,
agora sorvo o fel da angústia na foz.

_Amado meu, quando de mim te descuidaste,
lançando-me a própria sorte, perdi minha direção.
Em busca de uma quimera, de um bálsamo para solidão,
vaguei por caminhos sem norte, a procura de uma paixão.

_Volta amada minha, assim como foste, o teu lar ainda te espera.
Deixa-me curar tuas feridas, assim como das minhas cuidaste.
A tua ausência foi fel, amargou cada dia meu viver.
Se não estás ao meu lado, sou ave arredia a perecer.

_Meu amado, quero de novo amar, sem reservas, sem amarras.
Que eu possa me entregar, na certeza de seu cuidado.
Reiventemos o amor, num presente sem dor.
Recomeço sem passado,  nem futuro promissor,
apenas eu, você, o hoje ... Seja como for.


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quarta-feira

Minhas cicatrizes

"Quando eu estiver contigo no fim do dia, poderás ver as minhas cicatrizes, e então saberás que eu me feri e também me curei."
"Dos remédios e venenos sorver até a última gota.
Que não sobrem mazelas ou benesses.
Das feridas nos bastam as cicatrizes.
"

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Sob a soleira

Procura a menina seu por amigo, em vão,
A busca pelos cantos da casa, se faz inútil
Cruel amigo, se fora sorrateiro, sem nenhuma explicação.
Lançastes a menina ao relento,
em densas nuvens de inquietação: 
_Haveria feito algo errado com amigo tão estimado? 
_Não era forte o nosso laço? E os momentos de enlevo e contemplação?
Tantas dúvidas dilaceravam aquele peito já castigado. 
O tal laço, frouxo, nem tocara o coração do amigo amado,
Já para a pobre era quase algema, gaiola ou mesmo prisão.
E o tempo foi passando, mas a saudade não!
Suspirava a menina solitária, sentada sob a soleira,
Na varanda escondida sob o véu da escuridão.
Face úmida, olhos marejados, lágrimas como areia.
Sonha baixinho com volta de um amigo, 
bate seu coração resoluto:
_Se não voltar o que fora, outro me há de vir.
A menina engole o choro...A escuridão engole a menina.

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segunda-feira

Remédios e venenos

As rosas não falam

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão
Enfim

Volto ao jardim
Com a certeza de que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar
Para mim

Queixo-me às rosas, mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti

Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
Por fim
"Dos remédios e venenos,
sorver até a última gota.
Que não sobrem mazelas.
Das feridas, bastam as cicatrizes."

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SEPARAÇÃO


Desmontar a casa e o amor.
Despregar os sentimentos das paredes e lençóis.
Recolher as cortinas após a tempestade das conversas.
O amor não resistiu às balas, pragas, flores
e corpos de intermeio.
Empilhar livros, quadros, discos e remorsos.
Esperar o infernal juízo final do desamor.
Vizinhos se assustam de manhã ante os destroços junto à porta:
_ Pareciam se amar tanto!

Houve um tempo:
uma casa de campo,
fotos em Veneza,
um tempo em que sorridente
o amor aglutinava festas e jantares.
Amou-se um certo modo de despir-se de pentear-se.
Amou-se um sorriso e um certo modo de botar a mesa.
Amou-se um certo modo de amar.
No entanto, o amor bate em retirada
com suas roupas amassadas,
tropas de insultos malas desesperadas, soluços embargados.

Faltou amor no amor?
Gastou-se o amor no amor?
Fartou-se o amor?
No quarto dos filhos outra derrota à vista:
bonecos e brinquedos pendem numa colagem de afetos natimortos.
O amor ruiu e tem pressa de ir embora
envergonhado.
Erguerá outra casa, o amor?
Escolherá objetos, morará na praia?
Viajará na neve e na neblina?
Tonto, perplexo, sem rumo
um corpo sai porta afora
com pedaços de passado na cabeça
e um impreciso futuro.
No peito o coração pesa mais que uma mala de chumbo.

domingo

Non, je ne regrette rien

Cette chanson est un magnifique hommage à l'amour et de tristesse.
Une interprétation remplie d'émotion, l'actrice Marion Coutillard.

Cicatriz

Quem disse que mudei? Não importa que a tenham demolido. A gente continua morando na velha casa em que nasceu.

   Mário Quintana [pensador] www.pensador.info

 
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