aβsynto Vocέ

 

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.Há também quem garanta que nem todas, só as de verão.Isto não tem muita importância. O que interessa mesmo são os sonhos..."

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quarta-feira

O gato


Vem cá, meu gato, aqui no meu regaço;
Guarda essas garras devagar,
E nos teus belos olhos de ágata e aço
Deixa-me aos poucos mergulhar.

Quando meus dedos cobrem de carícias
Tua cabeça e dócil torso,
E minha mão se embriaga nas delícias
De afagar-te o elétrico dorso,

Em sonho a vejo. Seu olhar, profundo
Como o teu, amável felino,
Qual dardo dilacera e fere fundo,

E, dos pés a cabeça, um fino
Ar sutil, um perfume que envenena
Envolve-lhe a carne morena.

domingo

Epigrama

Amar, foder: uma união

De prazeres que não separo.

A volúpia e os prazeres são

O que a alma possui de mais raro.

Caralho, cona e corações

Juntam-se em doces efusões

Que os crentes censuram, os loucos.

Reflete nisso, oh minha amada:

Amar sem foder é bem pouco,

Foder sem amar não é nada.

sábado

Beijo Eterno

Diz tua boca: "Vem!"
"Inda mais!" diz a minha, a soluçar...Exclama
Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
"Morde também!"
Ai! morde! que doce é a dor
Que me entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura,
Morro por teu amor!

Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo!
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

quarta-feira

Inconfessável



O que me traduz,
aquilo que amo
ou o que me seduz?
Aquilo que odeio
ou tento em vão odiar?
E tentando odiar,
dispendo tanto tempo pensando
que por fim acabo amando,
mesmo não querendo,
ou tentando não querer.
Amando o que não quero,
querendo o que não possuo
possuindo o que não desejo,
desejando o que não tenho.
Vivendo em pleno desencontro,
me encontrando na incompletude,
caminhando entre sonhos soltos,
arrastando sentimentos presos
entre ataduras envoltos.
na completa quietude,
onde bradam meus segredos,
Inconfessáveis...


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segunda-feira

Amanhã, quem sabe...


O tempo parou ou serei eu,
quem estancou nessa altura.
Nem me adianto, nem retrocedo.
apenas me deixo ficar.
As horas passam,
o dia passa
e eu estanque.
Um mesmo pensar,
Um mesmo sentir,
Um mesmo estar
sem mesmo estar.
Um arrastar de dias
inúteis,
incontáveis
segundos...
Apenas segundos
sem enredo,
sem sentido,
sem vida,
sem rumo.
Aonde estarei indo?
Minha rota se perdeu,
minha bússola quebrou
meu norte ao sul,
meu sul a leste,
eu rumo a esmo,
largada à sorte,
ou falta dela.
Dias cheios
de alma vazia.
Vazia de si,
repleta de ti,
inefável sentir.
Quem sabe,
amanhã...

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sexta-feira

Prodígio


Prodígio! 

Como o Rei Lear não sentes a tormenta 
Que te desaba na fatal cabeça! 
(Que o céu d'estrelas todo resplandeça.) 
A tua alma, na Dor, mais nobre aumenta. 

A Desventura mais sanguinolenta 
Sobre os teus ombros impiedosa desça, 
Seja a treva mais funda e mais espessa, 
Todo o teu ser em músicas rebenta. 

Em músicas e em flores infinitas 
De aromas e de formas esquisitas 
E de um mistério singular, nevoento... 

Ah! só da Dor o alto farol supremo 
Consegue iluminar, de extremo a extremo, 
o estranho mar genial do Sentimento! 

terça-feira

A luz se foi...

§                     "A  luz se foi e agora nada mais resta a não ser esperar por 

um novo sol, um novo dia, nascido do mistério do tempo 

e do amor do homem pela luz".


Gore Vidal- "Juliano" (1964)

Sombras e Poesias



Vento forte que agora sopra,
impiedoso és com as folhas secas. 
Amareladas e frágeis se equilibram
num fio de vida que ainda resta,
aresta de um tempo que se fora,
onde o ar clorofilado reinava.

Brisa impetuosa que abala,
sua melodia  remete
aos cantos fúnebres de saudade.
Vejo as folhas secas pelo chão,
suas hastes estalam sob os pés,
restos da vida macerado, moido.
Folha que fora, hoje  ruído,
do seu triturar, é só o que és.

Aragem que deslisa por entre as copas,
a leveza das folhas me lembram
os sonhos alegres que tive.
Mesmo sendo noite, os sonhos luziam
então veio o sol, luz que as sombras dissipam , 
que apaga o brilho das fantasias.
Dos sonhos sonhados restaram sombras e poesias.
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segunda-feira


AMOR   DE  TARDE

É uma pena você não estar comigo
quando olho o rel
ógio e já são cinco
e termino a planilha e penso dez minutos
e estico as pernas como todas as tardes
e fa
ço assim com os ombros para relaxar as costas
e estalo os dedos e arranco mentiras.

É uma pena você não estar comigo
quando olho o rel
ógio e já são cinco
e eu sou uma manivela que calcula juros
ou duas mãos que pulam sobre quarenta teclas
ou um ouvido que escuta como ladra o telefone
ou um tipo que faz 
números e lhes arranca verdades.

É uma pena você não estar comigo
quando olho o rel
ógio e já são seis
Voc
ê podia chegar de repente
e dizer "e a
í ?" E ficaríamos
eu com a mancha vermelha dos seus l
ábios
voc
ê com o risco azul do meu carbono.

Ψolhos Pensantes: Você é contra ou a favor do Aborto



Linkei um vídeo que aborda de forma sutil a situação do aborto. 
Vale ver e refletir... Pensar nunca é demais!
Abraços.

Cicatriz

Quem disse que mudei? Não importa que a tenham demolido. A gente continua morando na velha casa em que nasceu.

   Mário Quintana [pensador] www.pensador.info

 
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